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Eu ainda acredito que escutar, transforma.

Quero começar este artigo com uma pergunta: quem de vocês, está cuidando das pessoas dentro das empresas enquanto, todos estão focados apenas nos resultados?

Eu gosto sempre de compartilhar eventos reais, e escuto diariamente nas empresas palavras como produtividade, metas, crescimento e performance. Tudo precisa acontecer rápido. Tudo precisa gerar resultado. Mas, no meio de toda essa correria, existe algo que ainda precisa de mais atenção. Vocês já sabem, nem preciso dizer que são as pessoas.

Quando eu chego nas empresas, percebo colaboradores tentando equilibrar emoções, pressões, inseguranças, desafios pessoais e profissionais enquanto seguem entregando resultados todos os dias. E muitas vezes, o que essas pessoas mais precisam não é apenas de um processo bem estruturado, mas de acolhimento, escuta e cuidado.

Quem aqui, em algum momento da vida, já passou por uma situação difícil e naquele instante só precisava que alguém perguntasse: “você está bem?”. Muitos de nós já vivemos isso. E talvez esse também seja o dia a dia silencioso do seu colaborador, do seu gestor ou até o seu próprio dia neste momento.

Hoje, no trânsito, parei o carro para deixar outra pessoa passar na minha frente. Algo simples. Automático. Mas logo depois fiquei pensando em quantas vezes vemos exatamente o contrário acontecer. Quantas pessoas aceleram para não deixar o outro entrar, mesmo vendo o pisca ligado? Quantas preferem chegar alguns segundos antes do que praticar um pequeno gesto de empatia?

E talvez isso explique muito sobre o mundo que estamos vivendo.

Saímos cedo de casa, levamos filhos para escola, enfrentamos trânsito, pressão, cobranças, preocupações pessoais e chegamos nas empresas carregando muito mais do que uma mochila ou uma bolsa. Chegamos sobrecarregados, carregando emoções, medos, cansaços e silêncios que ninguém vê.

E quando chegamos no trabalho, quantos “bom dia” recebemos com um sorriso verdadeiro? Durante o dia, quantas pessoas realmente percebem quando alguém não está bem? Quantas vezes alguém parou para perguntar: “precisa de ajuda?”

Não da para se isolar do mundo e dizer que a tecnologia, que avança todos os dias, onde tudo ficou automático, rápido e digital, veio para piorar a vida as pessoas. Mas talvez esteja faltando justamente aquilo que nenhuma inteligência artificial consegue substituir: presença, empatia, sensibilidade e conexão humana. Precisamos ser menos ChatGPT e mais nós mesmos. Mais humanos. Mais atentos. Mais disponíveis para olhar nos olhos, ouvir de verdade e perceber o outro além da função que ele ocupa.

Sei que existem exceções. Ainda existem pessoas humanas, empáticas e ambientes acolhedores. Mas também percebo que o mundo está cada vez mais voltado para a concorrência e cada vez menos para o cuidado com o outro.

E isso tem refletido diretamente dentro das empresas porque as organizações hoje, estão enfrentando desafios relacionados à saúde emocional, afastamentos, sobrecarga mental, dificuldades nos relacionamentos e perda de engajamento das equipes. E isso mostra que cuidar de pessoas deixou de ser apenas uma pauta do RH e passou a ser uma necessidade estratégica para empresas que desejam crescer de forma saudável e sustentável.

Ao longo dos anos, trabalhando à frente da Ser Humano Consultoria, entendi que nenhuma ferramenta, treinamento ou processo substitui aquilo que mais transforma ambientes: relações humanas verdadeiras. E sigo acreditando que escutar ainda é uma das maiores ferramentas dentro das organizações. Escutar sem julgamento. Perceber comportamentos. Entender silêncios. Criar conexões. Fazer com que o colaborador se sinta visto, respeitado e importante.

Hoje, mais do que nunca, as empresas precisam de apoio para desenvolver ambientes mais humanos, organizados e emocionalmente saudáveis. Precisam de profissionais preparados para olhar além dos cargos e entender que, por trás de cada colaborador, existe uma história, uma emoção e, muitas vezes, um pedido silencioso de ajuda.

Questões relacionadas à saúde ocupacional, qualidade de vida, clima organizacional e desenvolvimento humano passaram a ocupar um espaço essencial dentro das organizações. E acredito profundamente que empresas fortes são construídas por pessoas que se sentem cuidadas.

E então...vamos sorrir mais para quem esta ao nosso lado?

Talvez o futuro das empresas esteja justamente nisso: aprender que cuidar das pessoas nunca foi custo. Sempre foi investimento.

 

Monica Rizzatti

Diretora Executiva

 

 
 
 

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