top of page

Por que bons profissionais continuam difíceis de encontrar em 2026?

Em 2026, a tecnologia está mais acessível, a Inteligência Artificial já faz parte dos processos de recrutamento e as plataformas digitais ampliaram o alcance das vagas. Ainda assim, uma frase continua ecoando nas reuniões de diretoria: “Está cada vez mais difícil encontrar bons profissionais.”


Essa percepção não é apenas uma impressão isolada. Ela reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho.


O primeiro ponto é que o conceito de “bom profissional” mudou profundamente. Já não basta ter formação técnica ou experiência acumulada. O mercado exige capacidade de adaptação, visão sistêmica, autonomia, inteligência emocional e habilidade para lidar com tecnologia e dados. O profissional que performa bem hoje é aquele que aprende continuamente e se movimenta com segurança em ambientes incertos. Muitos não acompanharam essa transformação na mesma velocidade em que ela aconteceu.


Ao mesmo tempo, a formação tradicional ainda caminha em ritmo diferente do mercado. Enquanto as empresas demandam competências analíticas, pensamento estratégico e familiaridade com ferramentas digitais, parte da força de trabalho foi preparada para contextos mais previsíveis e operacionais. Esse descompasso gera a sensação de escassez, mesmo quando há pessoas disponíveis.


Existe também um fator importante do lado das organizações. Muitas ainda buscam um perfil idealizado: alta qualificação técnica, experiência ampla, maturidade comportamental, disponibilidade total e, em alguns casos, uma proposta de remuneração que não acompanha esse nível de exigência. O resultado é frustração no processo seletivo e a impressão de que “ninguém serve”.


Outro movimento claro em 2026 é que profissionais qualificados se tornaram mais seletivos. Eles analisam cultura, estilo de liderança, propósito, possibilidades reais de crescimento e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. A decisão de aceitar uma proposta vai além do salário. Empresas que não evoluíram na sua gestão interna, mesmo sendo financeiramente sólidas, perdem competitividade na atração de talentos.


A reputação também pesa. Em um mercado altamente conectado, experiências negativas se tornam públicas com facilidade. Alta rotatividade, ausência de clareza nas responsabilidades e lideranças despreparadas impactam diretamente a capacidade de atrair bons profissionais. Não se trata apenas de recrutar bem, mas de sustentar um ambiente que retenha e desenvolva.


Por fim, muitas dificuldades de contratação estão relacionadas à falta de estrutura organizacional. Quando não há clareza de cargos, processos definidos, metas objetivas e uma proposta consistente de desenvolvimento, o próprio contexto interno afasta profissionais mais preparados. Bons talentos buscam ambientes onde possam performar com segurança, autonomia e reconhecimento.


Em 2026, encontrar bons profissionais exige mais do que divulgar vagas. Exige estratégia, estrutura e coerência entre discurso e prática.


Talvez a pergunta mais relevante não seja por que está difícil encontrar talentos, mas o que as empresas estão fazendo para se tornarem lugares onde esses talentos queiram permanecer

Comentários


bottom of page