Empregabilidade em Terras Secas: O Que Podemos Aprender com Lanzarote?
- Monica Rizzatti
- 26 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Voltei recentemente de uma experiência marcante em Lanzarote, uma das Ilhas Canárias, território espanhol no meio do Atlântico, e fiquei impactada. Uma ilha nascida da força dos vulcões, onde praticamente não chove, não há rios, não há verde exuberante, e a água doce é escassa e grande parte vem da dessalinização da água do mar. E, mesmo assim, é um lugar onde tudo funciona.
A economia é aquecida, o turismo é forte, o desemprego é baixo, as ruas são limpas, a infraestrutura é organizada, a segurança pública funciona e a qualidade de vida impressiona. Ali, cultivam uva em solo vulcânico protegido por muros de pedra, plantam batatas em crateras e produzem vinhos premiados onde, tecnicamente, seria impossível plantar qualquer coisa. É a prova viva de que, com criatividade e organização, até o improvável pode florescer.
E eu pensava: o que estamos fazendo com tudo o que temos no Brasil? Vivemos em um país com a Floresta Amazônica, solos férteis, água doce abundante, biodiversidade sem igual, acesso ao mar, petróleo, sol e vento. Ainda assim, enfrentamos altas taxas de desemprego, desigualdade social e infraestrutura precária. É como se tivéssemos todas as peças, mas não soubéssemos montar o quebra-cabeça.
Esse contraste me faz refletir, como profissional que atua com Consultoria de Carreira e Empregabilidade, sobre o quanto precisamos amadurecer como sociedade. Empregabilidade não nasce apenas de vagas abertas, mas de um ecossistema: infraestrutura, educação, cultura de trabalho, valorização da criatividade, políticas públicas coerentes e, principalmente, visão de longo prazo.
Se Lanzarote consegue florescer com tão pouco, o que estamos esperando no Brasil? Nosso problema não é falta de recursos, mas falta de visão estratégica, cooperação e senso de responsabilidade compartilhada.
A lição é clara: não é o cenário que define as oportunidades, é o que fazemos com ele. Lanzarote mostra que não precisamos “ter tudo” para prosperar. Basta planejamento, criatividade e trabalho coletivo.
Viajar nos amplia a visão. Essa ilha me ensinou que cuidar do coletivo, investir em excelência e inovação pode transformar até o solo mais seco em solo fértil para o desenvolvimento. No Brasil, temos tudo. Só falta usar bem.
Monica Rizzatti
Diretora Executiva




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